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Zanadu!

Crónicas de Timbuktu, Trevim e Lisboa (nos melhores dias)

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Crónicas de Timbuktu, Trevim e Lisboa (nos melhores dias)

Acerca do encantador Svejk

por Tiago, em 18.01.15

Um livro que conheci pela primeira vez aquando da reedição feita pela Tinta da China em 2012, no âmbito de uma colecção de literatura de humor coordenada pelo Ricardo Araújo Pereira. Desde então tenho tentado encontrar este livro a um preço razoável o que aconteceu finalmente no final do ano passado, passe a redundância. Abençoadas sejam as bancas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa!

O Valente Soldado Chveik (título da edição Europa-América) conta a história de um soldado checo que por alturas da 1ª Grande Guerra Mundial, usa de toda a lábia, dissimulação, perfídia, jogos e manipulações para se escapar à mobilização e, em última análise, navegar por entre o desmoronar do Império Austro-Húngaro. Nos primeiros capítulos fica um pouco no ar a típica interrogação "Este gajo é mesmo parvo ou faz-se?"; o desenrolar da história permite perceber que se trata de um tipo esperto e que habilmente consegue manipular a gigantesca máquina burocrática do exército, esquivando-se de uma morte certa na linha da frente enquanto mantém um estilo de vida aprazível, bem regado e condizente com a sua (suposta) estupidez intrínseca.

Num romance de menos de 200 páginas, Svejk é preso várias vezes, declarado clinicamente idiota por uma junta médica, passa férias num sanatório e é aproveitado para impedido do capelão do exército que o perde às cartas para um coronel a quem serve de ordenança. Um festival de situações caricatas que acabam por pôr em evidência a futilidade de guerra despoletada por dois sistemas de alianças rígidas e sem grande fundamento político ou territorial de base.

Mais tarde, sempre que Chveik relatava a vida que se leva no asilo de alienados, fazia-o em termos muito elogiosos.,

«De verdade, nunca compreenderei a razão por que os doidos se zangam por estar tão bem instalados. É uma casa onde se pode passear todo nu, uivar como um chacal, ser furioso à vontade e morder até fartar e em tudo o que se quiser. (...) Há lá dentro uma liberdade que os socialistas nunca ousariam sonhar nada de mais belo. (...) É como lhes digo: está-se ali muito bem, e os poucos dias que passei no asilo de doidos foram os mais belos da minha vida.

 

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