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Zanadu!

Crónicas de Timbuktu, Trevim e Lisboa (nos melhores dias)

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Acerca das viagens de Twain: Mitos caídos - parte II (Os guias)

por Tiago, em 08.01.15

Chegados a Paris, os Peregrinos viram-se na necessidade de contratar um guia. Um processo de selecção complicado, desgastante e baseado em critérios dúbios.

Um deles era tão parecido com um pirata que o deixámos partir imediatamente.O segundo falava com uma pronúncia tão afectada que chegava a ser irritante (...) O terceiro conquistou-nos. (...) Este homem - que era afinal o nosso lacaio e servo - não deixava de ser um um cavalheiro.

Tudo parecia bem encaminhado até ao momento em que perguntam ao homem o seu nome.

Billfinger! Oh deixem-me morrer na minha pátria! (...) o nome atroz também me arranhou os ouvidos. (...) Quase que lamentei termo-lo contratado, com um nome tão insuportável.

Chamemos-lhe Ferguson - disse Dan. (...) Sem mais discussão, livrámo-nos do Billfinger, enquanto tal, e passámos a chamar-lhe Ferguson.

Ultrapassada a questão central da nomenclatura, rapidamente as coisas começaram a dar para o torto e os viajantes perceberam que tinham ali um farsante de primeira ordem que os tinha enganado com um "discurso de abertura (...) perfeito".

(...) estava sempre com fome, sempre com sede (...) Estava sempre a querer que comprássemos coisas (...) O biltre traiçoeiro! (...) patife consumado.

E foi assim a experiência de Mark Twain com os guias turísticos de Paris. Uma experiência enriquecedora e que o motivou a prometer desde logo um regresso.

Hei-de visitar Paris outra vez, e então os guias que se cuidem! Irei com as minhas pinturas de guerra... levo o meu machado à mão.

Também em Milão e Génova o guia foi uma peça essencial na visita dos Peregrinos. As suas qualidades de poliglota estiveram sempre presentes, permitindo uma experiência cultural profunda aos viajantes americanos.

Foi o guia que nos contou, e não me parece que ele se aventurasse à tarefa arriscada de contar uma mentira, quando nem sequer consegue dizer uma verdade em inglês sem deslocar o maxilar.

Os guias sabem o suficiente da língua estrangeira para misturarem tudo de modo a que a gente não perceba patavina de nada.

Mas como em todas as boas histórias, o nosso herói teria um momento de redenção em que todas as agruras e mágoas da viagem seriam recompensadas com o avistamento de algo sublime, belo e de molde a aquecer qualquer coração empedernido. Tudo se passou na subida ao Vesúvio, vulcão sobranceiro à cidade de Nápoles, permitindo a contemplação de um "belo panorama de um ponto alto da montanha".

Foi então que o tipo que ia agarrado à cauda do cavalo à minha frente, infligindo ao animal toda uma panóplia de crueldades, levou um coice que o atirou a várias jardas dali, sendo que este acidente (...) me dispôs muito serena e alegremente, e senti-me muito satisfeito por fazer a caminhada do Vesúvio.

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