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Zanadu!

Crónicas de Timbuktu, Trevim e Lisboa (nos melhores dias)

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Acerca da Peregrinação do Rapaz Sem Cor

por Tiago, em 11.02.16

Um dos melhores livros que li nas últimas semanas foi, de longe, a "Peregrinação do Rapaz Sem Cor" de Haruki Murakami. É notável que se tenha destacado tanto numa altura em que li uma sequência de livros muito interessantes como o "Arco do Triunfo" de Erich Maria Remarque, uma bela história com a Europa das vésperas da 2ª Guerra Mundial como pano de fundo, ou a épica viagem de Michael Palin, desde o Pólo Norte ao Pólo Sul, relatada em "De Pólo a Pólo".

O tema que me parece mais ou menos transversal a outros dos livros que já li de Murakami ("Sputnik Meu Amor", "A Sul da Fronteira, A Oeste do Sol") é o das dores de crescimento, da transição entre adolescência e idade adulta, da forma como o tempo cria distâncias inultrapassáveis e diferenças subtis mas incontornáveis entre pessoas que foram próximas num qualquer tempo passado.

A peregrinação aparece aqui como uma metáfora para um ajuste de contas com o passado; é a crónica da  personagem principal colorless Tsukuru Tazaki  na tentativa de perceber um estranho acontecimento na sua adolescência que marca de forma decisiva o adulto Tskuru. E é o desbloquear desse trauma de juventude que pode dar ao protagonista a chave para um futuro com um saudável horizonte de felicidade.

Altamente recomendado! Já agora, porque é que os títulos em inglês são mais engraçados? Lamentavelmente, sem-cor Tskuru Tazaki não fica tão giro numa capa...

Será que os outros precisavam realmente dele? Não ficariam melhor sem a sua presença? Se calhar, dizia com os seus botões, ainda não se deram conta disso; talvez seja apenas uma questão de tempo...

2 comentários

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    De Tiago a 13.02.2016 às 12:07

    O primeiro livro que li dele foi o Sputnik e na altura, apesar de ter gostado muito da escrita, fiquei um bocado incomodado com o facto de a história ter ficado algo em aberto e meio estranha no fim; além disso não me identifiquei especialmente com nenhum dos personagens. Depois comecei a ver os filmes do David Lynch e percebi que histórias estranhas, algo bizarras e não conclusivas podem ser muito mais interessantes do que aquela fórmula clássica do princípio, meio e fim.
    Como tinha gostado do estilo, voltei a ler Murakami com o A Sul da Fronteira, A Oeste do Sol e aí é que fiquei realmente impressionado, talvez porque foi mais fácil identificar-me com as dores dos personagens, o tema do crescimento e de como esse processo é tudo menos simples e natural como às vezes parece.
    O Norwegian Wood ainda não li mas devo dizer que acho o título um óptimo presságio: é o nome da minha música preferida dos Beatles :)
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