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Zanadu!

Crónicas de Timbuktu, Trevim e Lisboa (nos melhores dias)

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Crónicas de Timbuktu, Trevim e Lisboa (nos melhores dias)

Acerca do obscurantismo do ciclismo, passe a aliteração

por Tiago, em 01.03.15

Um dos livros que li com mais gosto nos últimos tempos foi "The Secret Race: Inside the hidden world of the Tour de France", a autobiografia de Tyler Hamilton, um dos trepadores que mais ajudou Lance Armstrong a conquistar os seus primeiros Tours. É um livro que se enquadra naquele género muito popular de destruição de mitos do desporto por ex-colegas, treinadores e afins. No fundo é um livro focado no lado mais obscuro do ciclismo, o doping.

 Hamilton a trabalhar para Armstrong nos saudosos tempos da US Postal Cycling Team.

 

Uma das vertentes mais focadas é a forma como a corrida deixa de ser contra os adversários mas sim contra os "vampiros" a.k.a. técnicos de recolha de análises anti-doping (sangue, urina) e a conclusão final é de que estes últimos estão muitos passos atrás da sofisticação das técnicas de doping modernas. Ou seja, só era (ou é, dependendo do grau de optimismo do leitor quanto ao panorama actual no ciclismo) apanhado quem for descuidado ou tiver mesmo muito azar. A maneira profissional, organizada e clínica com que tudo era feito é assustadora; o secretismo que envolvia as transfusões de sangue durante o Tour, por exemplo, é digno de um filme de gangsters.

To guard against the possibility of hidden cameras, the air conditioner, light switches, smoke detector, and even the toilet were covered with dark plastic and taped off.

E a sensação de culpa, natural em atletas que recorrem a métodos ilegais para obter vantagem competitiva sobre os seus rivais?

I came to think of it as Lance’s Golden Rule: Whatever you do, those other fuckers are doing more .

É interessante ver o trajecto de Hamilton, primeiro como um jovem que descobre no ciclismo uma modalidade que valoriza uma das suas maiores qualidades, a capacidade de sofrimento, e por isso o fascina; depois como um jovem profissional confrontado pela primeira vez com a possibilidade de doping; mais tarde como um verdadeiro profissional que vê o doping apenas como uma componente comum na preparação de um atleta de alto rendimento e, por fim, o ciclista finalmente apanhado a quem é difícil lidar com toda a pressão mediática e problemas pessoais que isso acarreta.

“Hey, it’s just a bike race.” I truly meant it—in the end, we’re not solving world hunger, we’re just a bunch of skinny, crazy guys trying to get across a finish line first.

 Hamilton e o sofrimento: subir os Alpes com um ombro fracturado. A prova de que o ciclismo é muito mais do que doping

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