Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Zanadu!

Crónicas de Timbuktu, Trevim e Lisboa (nos melhores dias)

Zanadu!

Crónicas de Timbuktu, Trevim e Lisboa (nos melhores dias)

Acerca da inteligência atroz

por Tiago, em 09.05.17

Que é a minha como é óbvio.

Dentro das várias políticas que regem a minha vida de leitor, destaca-se a grande preferência pelos clássicos mas também duas outras que tendem a andar de mão em mão: 1) diversificar os autores que leio e 2) dar mais que uma oportunidade a todos os autores, excepto quando são maus que dói logo à primeira. Foi este conjuntos de políticas que me deu a conhecer autores como Mario Vargas Llosa (primeiro com o decentezinho "A Cidade e os Cães" e depois com o estupendo "A Festa do Chibo") ou a redescobrir outros como José Saramago (depois da obrigação do "Memorial do Convento" chega a admiração com o livro-semhistória "O Ano da Morte de Ricardo Reis"). 

Na lista de tipos para quem a primeira oportunidade tinha sido desaproveitada, estava José Luís Peixoto com a relativa desilusão que foi ler "Dentro do Segredo" sobre a sua viagem à Coreia do Norte; é capaz de ter sido uma questão circunstancial visto que na altura andava a ler umas macacadas do Kissinger e por isso estava sempre à espera de um livro mais focado nos aspectos geo-políticos e menos na vida quotidiana dos norte-coreanos. Como isso não aconteceu fiquei de pé atrás até ler de uma penada (leia-se uma viagem de comboio e umas horas de sono roubadas a uma noite de semana) "Galveias", uma história composta com vários recortes da vida dos residentes da pequena aldeia alentejana que dá título ao livro.

Naquelas palestras de escrita criativa ouve-se sempre a indicação para escrever sobre o que se conhece (digo eu que nunca fui a nenhuma) e talvez seja esse o segredo para um livro que é provavelmente das melhores coisas que já li de um autor português; por outro lado, talvez sejam as minhas próprias origens que me ajudem a identificar tão facilmente com as histórias e inquietações das personagens do livro. O episódio mais impressivo foi provavelmente o de Raquel, a moça que estuda em Lisboa e entorna a sopa na viagem: as perguntas sobre os fins-de-semana, a experiência recatada da universidade, os episódios com a senhoria e, principalmente, o estar constantemente a meio entre a cidade e a aldeia, sem pouso certo; a mesma dicotomia cidade/campo que me fez gostar de "A Cidade e as Serras" de Eça de Queirós.

Ide e lede.

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

Links

Blogs