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Zanadu!

Crónicas de Timbuktu, Trevim e Lisboa (nos melhores dias)

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Acerca da Era Dourada da Exploração Antártica

por Tiago, em 05.10.14

Após a conquista do Pólo Sul em 1911 pela expedição do norueguês Roald Amundsen, a travessia do continente Antártico surgiu como a última grande conquista polar ainda por reclamar. Foi nessa perspectiva que Ernest Shackleton liderou uma expedição que saiu com destino ao pólo pouco tempo após o eclodir da 1ª Guerra Mundial.

Uma das mais épicas e brutais aventuras de exploração e sobrevivência, talvez ao nível dos pioneiros dos Descobrimentos, começou quando o navio Endurance ficou preso no gelo do mar de Weddel. Impossibilitada de sair da situação asfixiante em que se encontrava, a tripulação passou o Inverno de 1915 num dos climas mais inóspitos do planeta. Eventualmente, o navio foi esmagado pela pressão do gelo e uma situação difícil tornou-se desesperante com a perda do único abrigo e meio de fuga. Apesar das contrariedades, Shackleton liderou a sua tripulação numa fuga em botes, através de mares traiçoeiros, até a um lugar remoto, isolado e inabitado conhecido como ilha do Elefante.

A salvação da tripulação dependia agora da capacidade de conseguirem atingir alguma estação baleeira e pedir ajuda; atendendo aos problemas de saúde e exaustão que assolava muitos homens, Shackleton escolheu 5 homens para o acompanharem numa tentativa desesperada de levar um dos botes até à Geórgia do Sul, situada a cerca de 1300km. Levando apenas mantimentos para duas semanas (Shackleton sabia que seria tempo suficiente para a travessia e que em caso contrário estariam irremediavelmente perdidos), com meios de orientação extremamente rudimentares, condições de mar desfavoráveis e desafiando todas as probabilidades, a tripulação atingiu a costa sul da ilha, dando corpo a um dos maiores feitos de navegação marítima da história.

Arrasados de cansaço, havia ainda a travessia terrestre da Geórgia do Sul para fazer de modo a pedirem socorro nas estações baleeiras situadas na costa norte da ilha. Uma travessia dificultada pela falta de um mapa e de quaisquer referências sobre a morfologia do interior do território. Após uma maratona de 36h que incluiu perigosas descidas e a travessia de uma cascata gelada, Shackleton e dois companheiros atingiam Stromness em segurança. Mais tarde, Shackleton escreveria sobre este feito: "I have no doubt that Providence guided us...I know that during that long and racking march of thirty-six hours over the unnamed mountains and glaciers it seemed to me often that we were four, not three."

Após algumas tentativas, dificultadas pelo mau tempo, foi salva a tripulação acampada na ilha do Elefante e os dois elementos exaustos que também esperavam auxílio na costa sul da Geórgia. O regresso a Inglaterra deu-se em 1917 sendo que por ironia do Destino, alguns dos elementos que sobreviveram a tão dura aventura, acabariam por morrer ainda nos combates finais da 1ª Guerra Mundial. As peripécias de tão inaudita e audaz façanha encontram-se imortalizadas em South, as memórias de Shackleton sobre esta expedição. A sua leitura integral é muito recomendada.

 

 Imagem da partida de Shackleton da ilha do Elefante e da tripulação que ficava acampada na expectativa do seu regresso com auxílio.

 

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